Brilho eterno de uma mente sem lembranças

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Escrita por Gisele Nóbrega.

Esquecer! Buscamos no esquecimento a solução para consciência pesada ou para o coração aflito. Como se a dor, culpa, remorso ou sofrimento fossem desaparecer como quem deleta um arquivo do computador.

Brilho eterno de uma mente sem lembranças nos fala que esquecer nem sempre é uma boa ideia.

O filme conta a história de Joel e Clementine após muitas frustrações no namoro, Clementine decide se submeter à um processo para ter determinadas memórias apagadas. A ideia era que se ela não se lembrasse mais de Joel, não sofreria mais com as memórias de um relacionamento ruim. Ao saber disso, Joel tenta reatar com Clementine, mas quando a encontra, ela já está com outra pessoa, ele acaba descobrindo o processo pelo qual ela realizou, e decide fazer o mesmo pois não consegue lidar com a situação. O filme conta então, as memórias de ambos sendo apagadas, uma a uma.

Joel tenta de todas as formas desistir do processo, e luta mentalmente para guardar Clementine em sua memória de alguma forma. Porém, por mais que ele lute, o processo é feito e concluído. No entanto, ao decorrer do filme, eles acabam voltando ao primeiro lugar que se encontraram pela primeira vez, e se reencontram. Além disso, a vida de Clementine não melhorou após ter sua memória apagada, ela passou a ter uma postura melancólica, incompleta, como se algo faltasse.

Muitas vezes já desejamos que algo parecido pudesse ser realizado em nossas mentes, de um dia para o outro, aquelas lembranças de um relacionamento ruim, de perda, sofrimento que insiste em martelar nossa mente, tirar o nosso sono, nossa paciência, sanidade, sumissem como se nunca tivessem acontecido. Afinal, não podemos sofrer com aquilo que não lembramos. Ou será que ainda assim podemos?

Qualquer um de nós que já tenha sofrido com um relacionamento, sabe como é difícil esquecer o que viveu, ou aquele que não teve relacionamento frustrado, talvez colecione uma frustrada solidão na tentativa de não se frustrar com ninguém, e nada disso pode ser apagado. Quando estamos tão focados em não sofrermos, e potencializamos ao máximo nossos prazeres o resultado é não saber lidar com nenhuma das duas situações. E quando a dor nos atinge, procuramos alivia-la com prazer, nem que seja o prazer de esquecer a dor, como fazemos com a bebida.

O problema de muitos relacionamentos é, em primeiro lugar a idealização exagerada. Imaginamos que o relacionamento suprirá a todas as nossas demandas, e geramos expectativas que de forma alguma serão cumpridas pelo outro, dessa forma muitos relacionamentos são frustrados, não apenas por conta do erro de conduta, de uma postura moral inadequada, mas porque as projeções e expectativas não foram correspondidas. Em segundo lugar, a falta de perdão e tolerância com erros um do outro destroem os relacionamentos, pessoas não são perfeitas e terão falhas morais e algumas posturas que o outro não vai gostar. Quando a paixão está no ápice ainda é fácil tolerar e perdoar, ainda é fácil levantar hipóteses do que seria tolerável. Um relacionamento motivado pela paixão ou pela simples busca pelo prazer está fadado a ser destruído pelo tédio.

Quando Clementine não aguentava mais as mancadas e erros de Joel, ela recorreu a esquece-lo para poder terminar o relacionamento sem sofrimentos. Da mesma forma para não lidar com a dor do rompimento. Joel quis fazer o mesmo. Mas com o decorrer do filme Joel percebeu que era melhor retê-la na memória pelo SIGNIFICADO DE VIDA que ela tinha lhe mostrado, e nesse momento ele percebeu que a motivação maior que impulsiona um relacionamento é o AMOR. O amor de fato. Assim também, Clementine percebeu que apesar das falhas ainda estava disposta a ficar com Joel, porque o amava. É estabelecendo um sentido para a vida, que saberemos desfrutar das alegrias e suportar os sofrimentos.

O sofrimento faz parte do processo de amadurecimento do ser humano, e esquecer o motivo de uma dor, nos levará a cometer os mesmos erros repetidas vezes, isso não quer dizer que devemos buscar ver o lado bom da coisa, porque NEM SEMPRE ISSO É POSSÍVEL. Mas é sempre possível encontrar algo que nos dê forças para suportar o mal e prevalecer sobre o sofrimento. A personagem cita Nietzsche quando diz: ”Abençoados são os esquecidos, porque eles tiram o melhor até mesmo de seus sofrimentos”. Mas eu digo, que melhor seria se ficássemos com a frase de Viktor Franco que diz: “O sofrimento de certo modo, deixa de ser sofrimento no instante que encontra um sentido”.

É justamente quando não esquecemos aquilo que nos causa dor, é que temos força para amar muito melhor!

Autor: Evandro Canuto de Sa

Olá, como estão leitores críticos ? Revelando (Pouco) o meu ser, eu nasci em 1999, na cidade de Bauru-SP. - O que levou eu criar esse site, foi pelo gostar de escrever textos que estimulam, o senso crítico e criatividade.

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