500 dias com ela : Análise através de um olhar cristão

Escrita pela Gisele Nóbrega.

500 dias com ela conta a história de Tom e Summer. Tom é um romântico que acredita em destino e alma gêmea, Summer, é uma mulher que vive pelo que acredita que convém fazer, não quer ser nada de ninguém, não quer relacionamento sério, quer apenas curtir sua juventude. O filme discorre sobre um garoto que encontra uma garota, e desde o início é dito que essa não é uma história de amor.

O romantismo de Tom no filme é cego, e tudo aquilo que ele gostava no relacionamento, era simplesmente o que ele projetava sobre a Summer. Tom se apaixona e passa a fazer de tudo para conquistar a moça, eis o problema, Summer não acredita em “se apaixonar”, Tom acredita em destino e alma gêmea, Summer não. Apaixonado por ela, Tom mente ao dizer que não gosta dela, mente ao dizer que está disposto a um relacionamento casual, Tom mente a ela e à si mesmo. A partir disso, ele passa a se moldar para que o relacionamento funcione, e por conta disso ele perde não apenas a sua identidade, como projeta um relacionamento que não corresponde à realidade

Os relacionamentos, é claro, provocam mudanças em nós, mas o correto é que sejamos moldados através do relacionamento e não para o relacionamento. Se vendemos nossas crenças e nossos valores, se entramos em um relacionamento com perspectivas distintas, e simplesmente tentamos nos adaptar para que o relacionamento funcione, então perdemos aquilo que um relacionamento realmente deveria fazer em nós. Deixamos de ser mudados pelo relacionamento. Em uma relação onde ferro afia ferro (Provérbios 27:17). Onde cada um ajuda o outro a ser melhor.

Em determinada cena, Tom e Summer estão em uma loja de móveis para casa e brincam de ser casados, passam por vários cômodos da loja fingindo morarem naquela casa, e o que aparenta ser uma simples brincadeira, alimenta em Tom expectativas cada vez maiores daquele relacionamento. Tom não consegue ver que está vivendo uma mentira. Ao saírem da loja, a cena foca em uma parede da loja em que há uma frase descrita: “Não produzimos qualidade chique, produzimos qualidade diária verdadeira”. Repetidamente o diretor nos mostra que não é um filme sobre uma mulher que defraudou o coração de um homem, mas a história de um homem que defraudou a si mesmo ao projetar em um relacionamento qualidades chiques ao invés de qualidades verdadeiras. Tom estava disposto a mudar ao ponto de sacrificar os seus valores e as posturas que definiam quem ele era para sustentar um relacionamento que nunca foi visto da mesma forma por Summer, que tinha um outro padrão de ética e outras expectativas para relação. Ainda que o padrão de Summer não seja o correto (aos olhos cristão), também não é correto ver Tom como vítima, porque Summer era a única sincera no relacionamento, desde o início, seu desapego e suas intenções eram óbvias. Tom estava tão cego que estava disposto a dar como esmola valores que são inegociáveis em troca de uma gratidão que não poderia ser comprada.

Se vivemos vidas projetadas para sustentar relacionamentos idealizados não amadureceremos, pois o personagem que criamos de nós mesmos, não é capaz de atuar de forma CONSISTENTE no teatro da vida. Assim como nas antigas peças gregas, o hipócrita era aquele que atuava para agradar um público. Tom vive a hipocrisia de um relacionamento teatral. Summer durante o relacionamento não sabia definir o que estava vivendo mas ela pôde ser transformada por aquilo que viveu, pois ela viveu e não atuou, se deixou ser transformada pelo relacionamento e não para o relacionamento.

Eis a tolice de se deixar governar pelos sentimentos. Abrindo mão de suas convicções, jovens que passaram suas vidas sendo rejeitados ou solitários, ao encontrarem qualquer um que lhes dê um mínimo de atenção, que tenha os mesmos gostos, que tenha personalidades parecidas, muitas vezes estão dispostos a abrir mão de seus valores em prol desse relacionamento. É por isso que jovens cristãos renunciam seus princípios bíblicos para se entregarem a relações com descrentes que simplesmente lhes causaram sentimentos bons, eles pensam que serão aqueles que trarão a pessoa a Cristo, mas na verdade são eles que precisam ser resgatados. É por isso que mesmo dentro da igreja, pessoas vivem trocando de namorados, porque estão simplesmente vivendo projeções de relacionamentos e não a fé cristã que deveriam professar. Buscam apenas alguém que lhe supram determinada carência que um relacionamento passado não supriu. Ou mesmo aqueles que nunca se relacionaram, procuram em relacionamentos a redenção que apenas Cristo poderia dar. Muitos estão dispostos a relativizar o que acreditam em nome daquilo que sentem. Vendem seus valores. Se moldam para o relacionamento e acabam deixando de receber tudo de bom que o mesmo lhe poderia dar, pois ninguém muda enquanto atua.

Ao final, Tom encontra uma jovem chamada Autumn (Outono em inglês) onde o filme mostra literalmente uma nova estação na vida dele. O que se espera é que ele não cometa os mesmos erros do passado. E somos deixados a refletir sobre aqueles relacionamentos que não deram certo pois não fomos capazes de nos manter fiéis aquilo que a gente acreditava. Relacionamentos são baseados em valores, visões de mundo, significados em comum. Por mais que melhoremos em um relacionamento, não podemos vender aquilo que a gente acredita em nome de qualquer relação. Aprendemos com Tom, que o verdadeiro significado do amor em prol de um relacionamento deve carregar uma ética e esta deve ser amadurecida PELO relacionamento, e nunca abandonada por causa dele.

Autor: Evandro Canuto de Sa

Olá, como estão leitores críticos ? Revelando (Pouco) o meu ser, eu nasci em 1999, na cidade de Bauru-SP. - O que levou eu criar esse site, foi pelo gostar de escrever textos que estimulam, o senso crítico e criatividade.

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